DR. WILLIAM L. CRAIG RESPONDE À PERGUNTA SOBRE CRISTÃOS E HOMOSSEXUALISMO




Dr. Craig,
Em nossa escola bíblica dominical meu marido e eu temos utilizado seu livroApologética para questões difíceis da vida ao abordar muitas questões difíceis que a igreja encara hoje, em particular aquelas que nossos alunos tem mais dificuldade. Nossa classe tem tido discussões muito vivas e eles tem começado a entender a fé deles de forma racional, a fim de defendê-la de forma acurada e adequada em nossa cultura não-bíblica atual.
Estamos passando por dificuldades de opiniões diferentes em grandes pontos sobre o tópico da homossexualidade. Especialmente no ponto de que a Bíblia condena o comportamento e os atos homossexuais, mas não a orientação homossexual. A frase em seu livro, “É perfeitamente possível ser um homossexual e um cristão cheio do Espírito” causou alguma confusão uma vez que muitos acreditam que Deus não “criaria” uma pessoa com orientação homossexual.
As principais questões que surgiram foram:
1. Definir a si mesmo como homossexual é uma atitude pecaminosa? Se sim, como sua declaração acima pode ser válida?
2. Isto se refere a alguém que se considera homossexual, mas que não pratica atos homossexuais? Se o conceito inicial para pecado for atos/comportamento e não orientação, então isto pode fazer sentido.
3. Nós estaremos alimentando a permanência na sociedade de uma cultura não-bíblica quando chamamos alguém de homossexual?
Tem um exemplo de um amigo de um de nossos alunos que não se considera heterossexual, mas também diz que não é homossexual. Ele é de família cristã e sabe que o homossexualismo é errado, mas não sente atração por mulheres, e não acredita que isto vá mudar.
Outra questão que surgiu, que se relaciona com as questões acima, é que não é bíblico dizer que as pessoas nascem homossexuais, e que todos nascem heterossexuais. Isto nos leva à questão se o homossexualismo é uma escolha. Agora, em seu livro você diz que não importa se isto é genético ou uma escolha, pois o comportamento é que é pecado. Pode ser apenas uma questão semântica, mas é uma área que precisa ser abordada.
Também, se a homossexualidade é algo inerente à pessoa e não uma escolha, seria racional dizer que isto foi uma “escolha” feita no jardim do Éden, que isto vêm de uma natureza pecaminosa intrínseca? Em Romanos 1, Paulo diz,
Porque a ira de Deus…
Portanto, seria a homossexualidade uma escolha apenas para aqueles que conhecem Deus, e não seria uma escolha para aqueles que não conhecem e que estão com suas mentes fechadas para a evidência de Sua existência?
Também, quando abordarmos um “cristão homossexual” que está tentando viver uma vida pura e está lutando contra este pecado, como alguém pode o assistir com amor se esta pessoa acreditar que é pecado considerar estas pessoas homossexuais? Eu ligo este caso com o de um alcoolista que está se recuperando e que todos os dias, ou até mesmo todas as horas, precisa orar e dizer que o desejo da bebida foi tirado dele. Isto aborda a questão das orações não respondidas também. Se alguém que se considera homossexual e ora constantemente, com fervor, para que Deus, através do seu Espírito Santo, tire esta inclinação dele, e Ele escolhe não fazer esta pessoa heterossexual agora (ou nunca), como podemos abordar isto?
Sei que a pergunta ficou grande. Nós temos levado a questão para os pastores de nossa igreja, então está é uma questão que pode ser abordada por toda a igreja, e não por baixo do tapete. Meu marido e eu esperamos que você e sua equipe tenham tempo para examinar estas questões.
Muito obrigado. Deus te abençoe.
Krista.
Resposta do Dr. Craig:
Muito obrigado por investir seu tempo e se esforçar em ensinar para jovens estudantes! Este é um período crucial na vida deles, e parece que seus alunos tem sorte de ter você e seu marido os guiando através destas questões difíceis.
Antes de eu abordar suas três questões, permita-me esclarecer o que eu quis dizer quando disse, “É perfeitamente possível ser um homossexual e um cristão cheio do Espírito.” Eu estou tomando a homossexualidade como um orientação ou inclinação dos desejos sexuais de alguém. Uma pessoa heterossexual tem atração sexual por membros do sexo oposto; uma pessoa homossexual tem atrações sexuais por membros do mesmo sexo. Então minha sentença diz que é possível a uma pessoa ter atrações sexuais por pessoas do mesmo sexo e ainda assim ser um cristão cheio do Espírito.
Assim entendido, este fato parece ser bastante óbvio. Se é resultado da criação ou da natureza, a inclinação sexual de alguém geralmente não é alguma coisa que uma pessoa escolhe, mas algo que ela descobre nela própria. Desta forma alguém pode descobrir tal orientação em si, mas no poder do Espírito Santo se recusar a agir de acordo com esta inclinação, sabendo que estaria pecando se assim agisse. Isto não significa ficar escondido dentro do armário. A pessoa pode ser aberta sobre sua situação, da mesma forma como alguém que luta contra, digamos, o voyeurismo pode ser aberta sobre seu problema e se recusar a agir de acordo com os desejos que ela tem.
Dizer isto obviamente não implica que tais pessoas foram “criadas” por Deus para ter estes desejos; o que eu disse é consistente com estes desejos da pessoa sendo produtos da educação que ela teve. De qualquer forma, se a homossexualidade provar ter uma base biológica, eu acho que seria tolo dizer que Deus não criaria uma pessoa com esta predisposição. Deus cria pessoas com defeitos genéticos todo o tempo (eu mesmo nasci com um problema genético). Esta é apenas uma parte da grande questão que os filósofos chamam de problema do mal, mais especificamente, o mal natural.
Assim, em resposta às suas questões:
1. Definir a si mesmo como homossexual é uma atitude pecaminosa? Se sim, como sua declaração acima pode ser válida? Não, embora eu não usasse a palavra “definir”. Parte da agenda dos proponentes do estilo de vida homossexual é tratar a orientação sexual como uma definição de quem você é, parte de sua verdadeira identidade. Não podemos cair nesta armadilha. Ao invés de “definir”, eu usaria “descrever” pessoas de certa forma. Descrições podem mudar (por exemplo, nós envelhecemos e engordamos) e então não há necessidade de definir quem somos.
2. Isto se refere a alguém que se considera homossexual, mas que não pratica atos homossexuais? Se o conceito inicial para pecado for atos/comportamento e não orientação, então isto pode fazer sentido. Correto. Eu estou falando de alguém como uma pessoa que frequenta as reuniões do AA e diz, “Eu sou um alcoolista, mas não bebo há 15 anos. Obrigado Senhor!”
3. Nós estaremos alimentando a permanência na sociedade de uma cultura não-bíblica quando chamamos alguém de homossexual? Talvez sim. É melhor não se submeter a tais rótulos, uma vez que eles podem encorajar a ideia de que os desejos sexuais de alguém constituem sua identidade. Talvez seja melhor simplesmente dizer, “Eu estou lutando contra meus desejos homossexuais” ou “Eu me sinto atraído por pessoas do mesmo sexo que eu.”
Quanto aos seus comentários, eu concordo que ninguém nasce homossexual, da forma como um defino o termo, mas da mesma forma ninguém nasce heterossexual, assim definido. Lembre-se que eu defini estas palavras em termos de atração sexual de uma pessoa. Estes desejos são despertados mais tarde. Então tome cuidado para não pensar na homossexualidade e na heterossexualidade como gêneros. A maioria de nós nasce com um gênero claro e manifesto: macho ou fêmea, mas quais serão suas preferências sexuais serão manifestas bem depois. Isto é obviamente verdadeiro mesmo que a homossexualidade tenha uma base biológica. Mas se nossa orientação é resultado da biologia ou da educação que tivemos, o que nós podemos escolher mesmo é se vamos agir ou não conforme nossos desejos. Deus nos ordena a viver castos e reservamos a atividade sexual para o casamento heterossexual. Se a orientação é determinada ou se é uma escolha não é apenas uma questão semântica. É uma questão científica interessante sobre duas visões bem diferentes. Mas meu ponto é que nossas escolhas sobre como devemos viver permanecem independente desta questão.
Se a homossexualidade tem uma base biológica, eu não acho que devemos atribuir isto à Queda em nenhum sentido direto. Isto seria como um defeito de nascimento ou uma doença genética. É interessante que nos dias de Paulo a maioria das pessoas envolvidas em atos homossexuais provavelmente eram heterossexuais em sua orientação, como tais atos eram condenados por proeminentes filósofos da antiguidade. Se uma pessoa conhece Deus ou não, o pecado envolve uma escolha para a qual a pessoa é responsável.
Em relação à sua última questão, eu não acho que seja pecado a um cristão que sente atração por pessoas do mesmo sexo dizer que ele é homossexual. Mas eu concordo com você que tal rótulo pode não ser de muita ajuda e talvez encorajá-lo a pensar que esta desorientação é parte de sua identidade.
Quanto à oração não respondida, todo cristão heterossexual jovem homem irá lhe dizer que orou várias e várias vezes para que Deus lhe ajudasse a vencer a lascívia e estas orações repetidamente não foram respondidas. Santificação não é algo instantâneo. Ela demanda tempo e disciplina, a guarda dos olhos, o afastamento de certos lugares, se importar com o tipo de roupa que se usa e as música que se escuta.
Isto nos leva a pensar sobre disciplina espiritual que quase nunca é ensinada atualmente na igreja: mortificação da carne. Paulo nos diz que matar os maus desejos e não alimentar os desejos da carne (Cl 3:5). Isto pode levantar algumas imagens de asceticismo e autoflagelação, mas a ideia não é esta. Isto significa que como cristão nós devemos intencionalmente agir de forma a manter nossas paixões sexuais nos eixos, por exemplo, tendo cuidado com quais filmes nós vemos ou quais revistas lemos, ou que programas de TV nós assistimos. Devemos ativamente tomar cuidado e tomar precauções para que evitar que pequemos nestas áreas, como colocar um filtro em nossa internet. Com o passar do tempo nós ficaremos mais santos, e muitos vão testemunhar que com aconselhamento e disciplina até mesmo uma orientação homossexual pode ser corrigida e relações heterossexuais normais possam ser desfrutadas.
Fonte: Fé Racional