SÉRIE O TEÓLOGO RELEVANTE: A NATUREZA PRÁTICA DA TEOLOGIA



Na vivência humana precisamos da teoria para que haja a prática; e precisamos ter a prática para confirmar a teoria como verdade, de modo que uma depende da outra, e ambas se completam. O conhecimento de Deus só se concretiza no ser humano através da prática da verdade. Por isso, o objetivo da teologia é levar a humanidade a um conhecimento do criador, que se demonstra na prática do viver cristão, apresentando as verdades teóricas de maneira a buscar uma resposta prática a elas. Todo conhecimento teológico, portanto, deve ser apresentado de forma que destaque e exalte a prática da verdade revelada.
Sem o aspecto prático, não temos teologia, e sim uma filosofia cristã abstrata e vazia quanto à prática, o que não é suficiente para atender as necessidades de Deus e dos homens, sendo que elas só se satisfazem através de práticas. Na práxis teológica está o caminho que satisfaz tanto a Deus, como aos homens. A satisfação se dá através da verdade praticada. Por isso a verdadeira teologia se apresenta como verdades que se desdobram em caminhos práticos a serem seguidos, na comunidade e na sociedade em que vivemos.
Em seu livro o drama da doutrina o Rev. Kevin J. Vanhoozer escreve o seguinte sobre o caráter prático da teologia:
“A igreja não precisa de mais atores mecânicos; nem precisa de super-homens que mantenham em segredo a verdadeira identidade. Pelo contrario, os discípulos cristãos devem crescer em sua nova identidade e desempenhar seu papel em publico com paixão e verdade. Eles devem crescer e se tornar adulto em Cristo (Ef 4.15)”.
Vejamos alguns pontos a serem considerados no tocante a uma teologia prática relevante:
·      Precisamos ser discípulos de Cristo: Ser discípulo de Cristo não é somente ensinar e pregar a palavra de Deus. É viver como uma referencia fiel desta graça preciosa manifesta através da submissão a sã doutrina.

“A graça preciosa é a graça como templo de Deus, que deve ser protegida do mundo, que não pode ser lançado aos cães. Por isso, é graça como palavra viva, a Palavra de Deus, por ele próprio proferida, conforme lhe agrada. Chega até nós como o gracioso chamado de Jesus, como mensagem de perdão ao espírito angustiado e ao coração despedaçado. É preciso porque submete o ser humano ao jugo do discipulado de Jesus Cristo; é graça porque Jesus afirma “Meu jugo e suave e meu fardo e leve”.(Dietrich Bonhoeffer – livro Discipulado)

·      Precisamos ter a nossa inteligência humilhada: A soberba intelectual é outro forte adversário a uma prática teológica relevante, a tentativa de concluir humanamente a instrução divina é não ter o senso de proporção no tocante à grandeza espetacularmente eterna da mensagem do evangelho.

“A inteligência humilhada é a consciência ferida pela Palavra, é o coração ferido pela dádiva da revelação, é o intelecto estendido a ponto de encontrar Deus quando sobe aos céus e quando faz a como no mais profundo abismo.”  (Jonas Madureira – livro inteligência humilhada)

·      Precisamos abraçar a cosmovisão (visão de mundo) cristã: Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Todo ser humano possui uma cosmovisão, mesmo que ele não saiba. Para o cristão, ela vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo 

Uma Cosmovisão Cristã é fundamental para ser um contraponto aos sistemas ideológicos vigentes na atualidade. O mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. O mundo secular exalta o homem, exalta governos, exaltam intelectos e pensamentos, a Bíblia exalta a Deus e sua Soberania.
Alguns consideram a teologia prática simplesmente como um nome mais técnico para a doutrina da vida cristã. A sua ênfase é sobre como todo o ensino das Escrituras deve afetar a forma como vivemos hoje neste mundo presente. A ênfase da teologia prática não é simplesmente contemplar ou compreender doutrinas teológicas, mas também aplicar essas doutrinas na vida cotidiana do cristão, de modo que passamos a "contribuir para que o mundo se torne o que Deus pretende que seja".






SÉRIE O TEÓLOGO RELEVANTE: UMA TEOLOGIA CENTRALIZADA EM CRISTO



A chave para compreender o evangelho é Cristo. Esta verdade estende-se por toda Escritura e participa como capitulo importante de seu grande arco narrativo que é a forma pela qual Deus nos salva e renova o mundo pela salvação por meio da livre graça em seu filho, Jesus Cristo. B.B. Warfield escreveu: “O poder salvador da fé reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo Poderoso”.
A centralidade de Cristo é o fundamento da fé protestante. Martinho Lutero disse que Jesus Cristo é o “centro e a circunferência da Bíblia” — isso significa que quem ele é e o que ele fez em sua morte e ressurreição são o conteúdo fundamental da Escritura. Ulrich Zwingli disse: “Cristo é o Cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”.
Nós precisamos urgentemente ouvir solus Christus em nossos dias de teologia pluralista. Muitas pessoas hoje questionam a crença de que a salvação é somente pela fé em Cristo. Como Carl Braaten diz, eles “estão voltando à velha e falida forma de abordagem cristológica do século XIX, do liberalismo protestante, e chamando-a de “nova”, quando, na verdade, é pouco mais que uma “Jesusologia” superficial”. O resultado final é que, atualmente, muitas pessoas, como H.R. Niebuhr disse em sua famosa frase a respeito do liberalismo — proclamam e adoram “um  Deus sem ira, o qual trouxe homens sem pecado para um reino sem julgamento por meio de ministrações de um Cristo sem a cruz”. Analisando aspectos objetivos, vejamos alguns motivos pelos quais o teólogo relevante deve ser Cristocêntrico:

1.     Porque a obra de Cristo está presente em cada gênero ou seção da Bíblia

Cada parte da Bíblia aponta para Cristo de uma forma particular. Ele é a esperança dos patriarcas. É o anjo do Senhor. Em seguida vá do livro de Êxodo até Deuteronômio. Ele é a rocha de Moisés. É o cumpridor da Lei, tanto da lei cerimonial, porque nos torna puros nele, quanto da lei moral, porque recebe a benção por meio de sua vida perfeitamente justa. Ele é o Ultimo templo. Na historia de Israel depois de Moisés. Ele é comandante dos exércitos do Senhor (Js 5). É o verdadeiro Rei de Israel. Na verdade, ele é o verdadeiro Israel, nos Salmos, Davi apresenta Jesus como o doce cantor de Israel (Hb 2.12). Vá então nos profetas e ali encontrará o Rei prometido (Is 1-39), o servo sofredor (Is 40.55) e aquele que cura o mundo (Is 56-66). Procure no livro de Provérbios e verá que ele é a verdadeira sabedoria de Deus. Aos que estão sendo salvos a cruz é a sabedoria de Deus (1 Co 1.22-25). Jesus veio e cumpriu as condições para que Deus pudesse nos amar incondicionalmente. Quando Jesus vem, compreendemos que todas as pontas aparentemente soltas e as declarações contraditórias do restante da Bíblia convergem para Jesus.
  
2.     Porque a obra de Cristo está presente em cada tema da Bíblia

A Bíblia está repleta de temas que percorrem todas ou quase todas as suas partes e seus gêneros. Se você encontrar algum dos seguintes temas que perpassam todo cânon, e que passam também pelo seu texto específico, poderá simplesmente “puxar o fio” olhando para trás, a fim de ver onde ele começou, e para frente, de modo a ver seu cumprimento em Cristo agora e no dia final. Exemplo: Reino. Fomos feitos para obedecer e servir ao nosso verdadeiro Rei. O pecado é rebelião contra ele, porém Romanos 1 nos diz que todos vamos adorar e servir a alguma coisa; portanto seremos escravizados pelas coisas criadas até que quebremos este poder sobre nós. Que Rei é poderoso o suficiente para nos libertar do cativeiro e da escravidão? Somente aquele que é Deus e que voltará a terra. Jesus é o verdadeiro Rei, e sua morte e ressurreição quebraram o poder do pecado e da morte sobre nós. Portanto, servi-lo é perfeita liberdade.

3.     Porque a obra de Cristo está presente nos grandes personagens da Bíblia

Todos os principais personagens e líderes das Escrituras nos apontam para Cristo. O líder máximo que chama e forma um povo para Deus. Todos os líderes ungidos da Bíblia, todo profeta, sacerdote, rei e juiz que traz “salvação”, libertação ou redenção de qualquer tipo ou nível, apontam para Cristo, na força que tem e mesmo em suas falhas. Até suas fraquezas mostram que Deus opera pela graça e usa o que para o mundo é secundário e fraco. Os “marginalizados” sociais e morais a quem Deus usa, tais como Raabe, Rute, Tamar e Bete-Seba (Mt 1.1-11), especialmente os que se encontram na linha da “semente” prometida, apontam para ele. Vejamos alguns deles:

·                    Jesus é o verdadeiro e superior Adão, que passou no teste no jardim e cuja obediência nos é imputada (1 Co 15)
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Abel, que, embora tenha sido morto inocentemente, tem o sangue que agora clama por nossa absolvição, e não por nossa condenação (Hb 12.24)
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Abraão, que respondeu ao chamado de Deus para deixar o que lhe era confortável e familiar e partir rumo ao desconhecido, “sem saber para onde ia” (Hb 11.8), no intuito de criar um novo povo para Deus.
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Isaque, que não apenas foi oferecido por seu pai no monte, mas foi verdadeiramente sacrificado por nós. Deus disse a Abraão: Agora sei que me amas, porque por mim não poupaste teu filho, teu único filho, a quem tu amas (Gn 22.12). Agora podemos dizer em relação a Deus: “Agora sabemos que tu nos amas, porque não poupaste a nós teu filho, teu único filho, a quem tu amas”.
·                    Jesus é o verdadeiro Jacó, que lutou com Deus e levou o golpe da justiça que merecíamos de tal forma que nós, assim como Jacó, recebêssemos apenas os ferimentos da graça para que nos despertasse e disciplinasse.
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Jonas, que foi lançado na tempestade para que pudéssemos ser salvos e trazidos a bordo. Como diz Jesus em Mateus 12.41, ele é o último Jonas, que foi lançado nas profundezas abissais da justiça eterna.

4.  Porque a obra de Cristo está presente em cada grande imagem da Bíblia

Há muitas imagens ou “tipos” que apontam para Cristo e que não são figuras ou pessoas, mas objetos e padrões impessoais, Muitos desses símbolos descrevem vividamente a salvação pela graça que encontra realização em Cristo. A serpente de bronze no deserto e a água da vida oriunda da rocha golpeada nos indicam Cristo, é claro (uma vez que João e Paulo nos dizem que sim!). Além disso, todo sistema sacrificial e do templo apontam, na verdade, para ele. Sabemos disso porque o livro de Hebreus nos diz que é assim. Muitas outras imagens não podem, de fato, ser chamadas de símbolos, tampouco são elas temas rigorosamente teológicos, mas ideias ou assuntos concretos que recorrem a Jesus e tem ligações com ele.

5.  Por que a obra de Cristo está presente em cada enredo de libertação na Bíblia

Devemos atentar ao padrão da narrativa de vida-através-da-morte ou do triunfo-através-da-fraqueza, que é com frequência usada, o modo pelo qual Deus opera na historia e em nossas vidas. Ao pregar, você pode passar do evento de graça para a obra de Cristo. Se eu ler a historia de Davi e Golias como algo que me possa servir de exemplo, ela estará, na verdade, falando de mim. Cabe a mim invocar a fé e a coragem para lutar com os gigantes da minha vida. No entanto, se penso que a Bíblia me remete ao Senhor e a sua salvação, e se leio o texto de Davi e Golias sob essa ótica, muitas coisas saltam a vista. O ponto principal da passagem era que os israelitas não conseguiam enfrentar os gigantes por si mesmos. Eles precisavam de um substituto, alguém que acabou por não ser uma pessoa forte, mas frágil. E Deus usa a fragilidade do libertador como meio que leva a destruição de Golias. Davi triunfa na fraqueza e sua vitória é imputada ao seu povo. Em seu triunfo, eles triunfaram. Como não vê Jesus nesta história? Ele enfrentou os mais colossais gigantes (o pecado e a morte) e, mais do que um risco a sua vida, isso lhe custou a própria vida. Mas triunfou m sua fraqueza e agora seu triunfo é nosso.

Depois de uma execução empolgante da Nona Sinfonia de Beethoven, o famoso maestro italiano Arturo Toscanini disse à orquestra: “Eu não sou nada. Você não é nada. Beethoven é tudo”. Se Toscanini pode dizer isso sobre um compositor brilhante, mas que está morto, quanto mais os cristãos devem dizer o mesmo sobre o Salvador que vive, o qual, no que diz respeito à nossa salvação, é o compositor, músico e até mesmo a própria bela música.



SÉRIE O TEÓLOGO RELEVANTE - A FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA DA TEOLOGIA




Um dos lemas centrais da Reforma Protestante é o Sola Scriptura, termo em latim que significa somente as Escrituras. Este em especial serve como fundamento não somente aos demais solas (Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Glória), como também a toda conjuntura teológica evangélica  que cremos e confessamos. Infelizmente em nossos dias, por conta da permissividade pós moderna que traveste as heresias com o manto da religiosidade hipócrita que é politicamente correta e espiritualmente profana, temos sistematicamente abandonado nossas raízes Bíblicas tendo como consequência debates teológicos medíocres e vazios. Em seu livro pilares da fé o Pr. Franklin Ferreira escreve:

“Isso é algo que, de fato, me espanta. Alguns escritores propõem revisões do ensino cristão, mas na maioria das vezes em ruptura com a tradição cristã acerca da doutrina de Deus e da salvação e sem demonstrar a menor preocupação em remeter seus leitores (ou, pelo menos, seus seguidores mais fieis) as páginas da Escritura.”

O Pr. Paulo Anglada em seu livro Sola Scriptura. A doutrina reformada das Escrituras, também escreve algo importante sobre este assunto:

“Quando consideramos a diversidade doutrinária, litúrgica e prática que, em geral, caracteriza o evangelicalismo brasileiro, não é descabido questionar se alguma denominação evangélica no Brasil ainda pode, como instituição, ser considerada herdeira legítima da doutrina, culto e práticas reformadas. Pode haver muitas razões para essa situação. Entretanto, sem duvida, o relaxamento para com a autoridade e suficiência das Escrituras é uma delas.

As Escrituras Sagradas são a principal fonte da nossa teologia. Em seu livro Pregação e Pregador o Dr. Martyn Lloyd-Jones escreve o seguinte:

  Se a igreja cristã quiser manter um testemunho ativo nesta geração, e se os crentes em Cristo desejarem crescer e torna-se cristãos maduros e eficientes, então é da maior importância que os pastores, mestres e outros líderes providenciem para o seu povo o “leite sincero da Palavra” mediante a mensagens centralizadas na Bíblia e dela derivadas.”
Estamos em uma época aonde não temos consciência da real riqueza que nos legou a reforma, redescobrindo o evangelho através não somente do livre exame como também por meio da interpretação precisa da Palavra. Desenvolvemos uma “cultura evangélica” sem compromisso com o evangelho, baseada unicamente em nossas experiências e tradições, teologizando suas implicações através da manipulação espúria dos textos sagrados. Sobre isso o Pr. Renato Vargens em seu livro reforma agora escreve:

“Lamentavelmente, alguns dos pastores e mestres tupiniquins não possuem mais nenhuma ligação com aqueles que os precederam. Os púlpitos das igrejas e as salas de aula dos seminários teológicos estão sendo ocupadas por homens desconhecedores das mais profundas e básicas verdades sustentadas na Reforma. Se não bastasse isso, boa parte destes relativizaram as Escrituras afirmando não serem elas a Palavra revelada de Deus.”

Precisamos retomar a centralidade das Escrituras em nossas vidas, para que então nossa teologia seja contagiada e contagiante. Vejamos alguns pontos importantes que devem nortear nossa relação enquanto teólogos com a Bíblia:

1.  A Bíblia precisa ser lida devocionalmente: O teólogo, antes de qualquer coisa, é um cristão e como tal precisa não somente analisar as Escrituras, como também se deixar analisar e ser trabalhado por ela. A Leitura devocional é uma forma disciplinada de devoção e não mais um método de estudo bíblico. Ela é feita pura e simplesmente para conhecer a Deus, colocar-se diante da Sua Palavra e ouvi-lo. Esta atitude de silêncio, reverência, meditação e contemplação define a postura de quem deseja aproximar-se da Palavra de Deus. O exemplo bíblico desta postura encontramos em Maria, irmã de Marta, que “quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos” (Lucas 10:39), “enquanto sua irmã agitava-se de um lado para o outro, ocupada em muitos serviços” (Lucas 10:40). Há muitos outros exemplos de devoção que encontramos na Bíblia, de pessoas que simplesmente se punham diante do Senhor, sem esboçar uma única palavra, sem apresentar um único pedido, apenas ouvindo, meditando e contemplando.

2.  A Bíblia precisa ser conhecida bibliologicamente: Não basta somente ser um leitor apaixonado das Escrituras, precisamos conhecer os fatores que contribuíram para que ela chegasse até nós. Afinal, quando ela se originou? Quando e como assumiu a forma atual? Por que afirmamos que ela é um livro divinamente inspirado? O campo que estuda estas questões e chamado na teologia de Bibliologia ou Introdução Bíblica, ele irá tratar não apenas do significado do nome Bíblia e sua organização (testamento, capítulos, versículos, e etc) como também de assuntos pertinentes a doutrina das Escrituras (Ex. Inspiração, inerrância, canonicidade e etc). Este conhecimento, hoje mais do que nunca, é importantíssimo pois é a partir dele todos os demais aspectos da nossa teologia estarão firmados.

3.  A Bíblia precisa ser interpretada Hermenêuticamente:  Começarei falando da necessidade da hermenêutica bíblica. Como Osborne em seu livro A Espiral Hermenêutica, eu acredito sim que o propósito da hermenêutica é nos levar finalmente à pregação da Palavra de Deus. Contudo, antes de pregarmos, precisamos interpretar as Escrituras. Não é simplesmente abrir a Bíblia e dizer o que ela está dizendo. Nem todo mundo se apercebe do fato de que a leitura de qualquer texto sempre envolve um processo de interpretação. Ou seja, não é possível compreender um texto, qualquer que seja, sem que haja antes um processo interpretativo ― quer esse texto seja um jornal, quer seja a Revista Veja, quer seja a Bíblia.  A leitura sempre envolverá um processo de interpretação ― ainda que esse processo seja inconsciente e nem sempre as pessoas estejam alertas para o fato de que um processo de compreensão está em andamento. A Bíblia é um texto. Ela é a Palavra de Deus, mas ela é um texto. Como tal, ela não foge a essa regra. (Texto original do Rev. Augustus Nicodemos Lopes)

O teólogo relevante em primeiro lugar é Bíblico, por entender que sem a Bíblia não é possível fazer teologia. O protagonismo das Escrituras é um fator inegociável e prioritário, principalmente em um tempo de relativismos aonde os valores e princípios cristãos tem sido bombardeados por toda sorte de engano conveniente aos interesses de quem não sujeita-se a soberana vontade de Deus. Somente o retorno as Escrituras pode potencializar nosso conhecimento de forma transformadora e abençoadora. Foi assim com os reformadores do passado e precisa ser assim com os do presente.  

O TEÓLOGO RELEVANTE - INTRODUÇÃO

 

Apresentação


Em tempos aonde ser relevante tornou-se sinônimo de ser popular a tarefa do teólogo cristão torna-se ainda mais desafiadora, pois todos os dias somos tentados a apostatar da fé nos desviando da sã doutrina por acharmos a simplicidade do evangelho simples demais para as nossas pretensões intelectuais e até mesmo nossas particularidades espirituais.

Porem. Não basta saber o significado do nome teologia nem dos complexos conceitos que a constitui, precisamos entender o lugar dela em relação ao conjunto da obra que Deus tem a realizar em nós e através de nós, só assim encontraremos sua real relevância no tocante a edificação dos santos e a proclamação das boas novas de salvação.

Espero que esta oportunidade seja de edificação e benção para sua vida e que você desperte para conhecer e continuar conhecendo ao Senhor através da sua Santa Palavra.

Introdução



No texto escolhido como base bíblica da nossa palestra/aula (1º Tm 4.16) encontramos uma recomendação importante do apostolo Paulo ao jovem pastor Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Na época de Timóteo existia alguns perigos que poderiam lhe desviar do seu proposito vocacional como, por exemplo, o legalismo judaico e o secularismo romano, assim como em  nossos dias grandes são os perigos que enfrentamos para nos manter espiritualmente sóbrios e bíblicos. Havia também a preocupação por parte do apostolo Paulo em conscientizar seu filho na fé sobre qual era o lugar da teologia em seu ministério e como ela deveria contribuir para um testemunho irrepreensível: “fazendo assim salvarás tanto a ti quanto os que te ouvem.”

Estudar teologia é conhecer a sã doutrina revelada em Jesus Cristo e registrada por divina inspiração nas Sagradas Escrituras (Bíblia). Muitos confundem o significado da palavra com o seu conceito, a teologia não estuda Deus, ela estuda aquilo que pela graça ele nos apresenta sobre sua pessoa e obra. Anselmo, um dos pais da igreja, vai nos ensinar que teologia é “a fé em busca de entendimento.” Por que então há tanto desentendimento e inutilidade em nossos debates teológicos? Grant R. Osborne vai escrever em tom de alerta o seguinte sobre esta questão:

“Não sabemos ao certo como determinar um dogma, especialmente como obtê-lo a partir das Escrituras; e não sabemos como distinguir doutrinas centrais daquelas doutrinas sobre as quais devemos concordar em discordar. Existem mais caçadores de heresias por aí do que jamais existiu na historia recente, e ainda assim existe menos consciência teológica na maioria das igrejas do que em qualquer outro período do ultimo século. É uma dicotomia estranha, temos mais material sobre Bíblia e a teologia do que nunca, mais interesse em estudos bíblicos, e ainda assim temos menos conhecimento da Bíblia e de teologia.” (Fonte: citação extraída do livro pilares da fé do Pr. Franklin Ferreira Ed. Vida Nova – pag 35).


Segundo o Rev. Roberto Schuler, ao escrever sobre o fazer teológico e as tendências contemporâneas de mudança, o grande problema das nossas irrelevantes discursões se dá pela perda da nossa identidade no tocante ao caráter protestante, a teologia pública e a relevância profética. Ele escreve:



“O que eu quero dizer é que a reforma protestante nasceu de um protesto, ou seja, de um apelo por reforma na estrutura da igreja e da sociedade. Essa é a nossa tradição e foi por isso que na historia ganhamos o nome de protestantes. O fato de não termos que protestar mais hoje contra as indulgencias e os desvios no tocante a doutrina da salvação não significa a cessação da nossa vocação protestante, até porque outros problemas surgiram, talvez não tanto de ordem doutrinária e confessional, mas sim de ordem prática e social.” (Artigo extraído do livro A Teologia e os Desafios Contemporâneos Ed Reflexão – Pag 23)


A falta do devido cuidado com a doutrina é um dos reflexos da nossa condição desleixada diante de Deus. Como o próprio Rev. Schuler coloca: Na prática nós nos tornamos cada dia mais “conformantes” que protestantes. Isso porque aos poucos a nossa teologia abandonou sua tradição profética, se fechando em uma redoma cheia de dogmas religiosos e movimentos místicos vazios da verdadeira essência do evangelho. Como resultado disso, nossa teologia publica, ou seja, nossa participação na sociedade tem comunicado um cristianismo sem Cristo em boa parte das ocasiões aonde a igreja precisa se posicionar de forma relevante.

Nossa irrelevância teológica denuncia nossa falta de compromisso com o evangelho de Jesus Cristo principalmente no tocante a sua natureza prática, até porque, tudo que somos e realizamos enquanto cristãos deve ser um reflexo da nossa submissão à sã doutrina, fora disso nosso trabalho é anátema (nulo). Estamos passando por uma crise teológica tão grave que, como escreveu Ian Ramsey alguns anos antes de sua morte, “A igreja não só está sem teologia, mas a teologia está sem Deus.” Algumas coisas nesta época entre os teólogos profissionais mudaram, mas o abismo entre o seu acadêmico vocabulário e a mentalidade da igreja só fizeram aumentar deixando-a (teologia) a margem da vida evangélica, mas deslocada do seu centro. Em seu livro “sem lugar para a verdade”, David F. Wells escreve:

“É nesse sentido que é apropriado falar do desaparecimento da teologia. Não é que os elementos do credo evangélico tenham se desvanecido; eles não se desvaneceram. O fato de eles serem professados, no entanto, não significa necessariamente que a estrutura da fé protestante histórica ainda está intacta. A razão é que simplesmente enquanto esses itens da crença são professados, eles estão cada vez mais distantes do centro da vida evangélica em que definiam o que era essa vida, e eles agora são relegados à periferia, na qual perdeu seu poder de definir como deve ser a vida evangélica.”


Como consequência desta crise a missão da igreja tem sido comprometida em vários aspectos. Quando o conhecimento não é administrado com sabedoria do alto à tendência é o desvio da verdade e o desequilíbrio orgânico que desemboca ou no fideísmo (conhecimento de Deus sem evidencias) ou no racionalismo (conhecimento de Deus somente com evidencias). O labor teológico relevante alia esses dois extremos por meio da fé que compreende e reconhece o importante papel da razão na busca pelo conhecimento de Deus. Porém, tal conhecimento deve se manifestar através de práticas piedosas, piedade que tem a vê com gratidão e não com razão. Em seu livro Inteligência humilhada o Rev. Jonas Madureira escreve: “A razão faz teólogos inteligentes, mas somente a gratidão torna-os piedosos e inteligentes”.

O que a igreja tem que dizer e fazer com exclusividade não pode ser reduzido à filosofia e política. A responsabilidade exclusiva da igreja é proclamar e praticar o evangelho, dando no discurso e na vida testemunho da realidade, da presença e da ação de Deus em Jesus Cristo e no Espirito Santo. A responsabilidade exclusiva do teólogo é garantir que o discurso e a ação da igreja correspondam a Palavra de Deus, regra de fé e prática do cristão.

Com base nessas informações iremos trabalhar três aspectos fundamentais para um labor teológico relevante que são eles: Bíblico, Cristocêntrico e Prático. (CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO ARTIGO) 


Deus vos abençoe!!

Vicente Leão 




 









A APATIA POLITICA DA IGREJA QUE SE RENDEU AOS PRIVILÉGIOS DO ESTADO



    Em meio a toda esta eferverscência politica que tem agitado o país nesses últimos anos chegamos a mais um pleito eleitoral, disputa esta que tende a ser atípica e decisiva no tocante ao futuro da nação. As alianças e candidaturas estão formadas, o sistema que nos governa está se reinventando com o único e inequívoco proposito de dar manutenção a este projeto corrupto e maligno de poder que foi exposto através da operação lava jato, estimulando uma "revolta popular" e um desejo de "mudança" e "renovação". Porém, na prática nossas atitudes tendem a eleger mais do mesmo e os motivos (desculpas) são os mais diversos para tentar justificar o injustificável, nossas conveniências individualistas em detrimento de qualquer sentimento patriótico. 
   Olhando, em especial, para o eleitorado cristão evangélico me vem a lembrança de um hino antigo que diz o seguinte "Onde está aquele povo barulhento? Onde está que não se vê nenhum irmão? alguém com voz de lamento vai dizer neste momento, aquele povo foi embora pra Sião." Nos últimos anos o eleitorado evangélico tem ganhado uma expressiva importância no tocante ao resultado das urnas. No entanto, a mobilização da maioria das grandes denominação não tem representado seus valores cristãos bíblicos e sim seus "interesses partidários", temos fechado nossos olhos para injustiça, corrupção, cristianizando ideologias e politicas publicas contrárias ao evangelho de Jesus Cristo, apoiando e oramos em favor de criminosos condenados sem temor a Deus nem respeito a sua Palavra, isso quando não resolvemos lançar candidatos fantoches para representar os nossos anseios particulares efêmeros.
  Nossa relação com o estado é de prostituição, pensamos em nos valer do sistema para crescer enquanto " igreja", onde na verdade o sistema e que esta se valento da nossa carnalidade e desvio da verdade para proclamar o reino das trevas, tragando a nossa consciência, nos fazendo apoiar voluntariamente suas bandeiras travestidas de estado democrático de direito. 
    Fomos chamados como igreja do Senhor para sermos a consciência do estado, lhe servindo como referencia fiel de justiça social e padrão moral. Temos uma missão profética de, com a nossa conduta, exercermos uma cidadania que manifeste os valores do reino de Deus. Não podemos apoiar nada e nem ninguém que não comungue de tais princípios, pois o que está em jogo não é apenas o que fazemos, mas principalmente quem somos, e aí é onde encontramos a raiz do problema. Aqueles que não comungam intimamente dos valores e princípios do reino de Deus são indiferentes as consequências de uma cidadania irresponsável. Jesus como homem não fugiu das suas responsabilidades enquanto cidadão quanto esteve entre nós, ele nos deu o exemplo nisto também, ele pagou impostos, ensinou sobre a importância de submissão as autoridades constituídas e como denunciar de forma legitima abusos de autoridade, não acabou com a desigualdade, não criou cotas, nem programas sociais, ele fez melhor, salvou o homem do pecado da justiça e do juízo, transformou sua natureza e o fez satisfeito  nele para a glória do Pai das luzes. Este homem agora não somente tornou-se cidadão dos céus como abraçou uma nova conduta como cidadão desta terra, de inconformismo e denuncia, entendendo que não somente existe um proposito para sua existência como uma missão, lutar contra a tirania nos maldosos os chamando ao arrependimento. 
   Se somos maleáveis em nossa conduta no relacionamento com o poder publico, nos tornamos de igual forma responsáveis pela crise politica que aflige o nosso país e isso nos será cobrado do rigor pelo Senhor, precisamos despertar e tomar uma posição genuinamente cristã bíblica para com o nosso voto contribuirmos com o melhor para o nosso povo. 
    Não seja voto de cabresto, não apoie candidatos por ser fechamento da sua congregação, apoie e ajude a eleger quem tem compromisso com os valores e princípios do Reino de Deus. 


Deus vos Abençoe!

Vicente Leão

PROGRAMA EVIDENCIAS: SERIA JESUS UM PLÁGIO?


Neste vídeo o Dr. Rodrigo irá trazer esclarecimentos importantes sobre as varias contestações a respeito da pessoa de Jesus.

PROGRAMA EVIDENCIAS = A ORIGEM DAS CIVILIZAÇÕES


Neste programa o Dr. Rodrigo Silva irá nos trazer esclarecimentos históricos e arqueológicos riquíssimos sobre a origem das civilizações, diluvio e etc. 

O PREGADOR E SUA VIDA DEVOCIONAL




Todos nós precisamos de modelos para viver. Aprendemos pela observação. Quando seguimos as pegadas daqueles que percorrem as veredas da probidade, visamos aos objetivos de uma vida bem aventurada; mas, quando seguimos os modelos errados, colhemos frutos amargos de uma dolorosa decepção. São referencias e marcos balizadores em nosso caminho. Eles são como espelhos para nós, o espelho nos mostra quem somos e aponta-nos em que precisamos melhorar a nossa imagem. Analisemos algumas características interessantes do espelho.

Em primeiro lugar, ele nos mostra quem somos não através do som, mas da imagem, ele não discursa, revela, não alardeia; reflete. O seu sermão mais eloquente não é o pregado no púlpito, mas o que é vivido no lar, na igreja e na sociedade. Ele não prega apenas aos ouvidos, mas também aos olhos.

Em segundo lugar, o espelho deve ser limpo. Um espelho embaçado e sujo não pode refletir a imagem com clareza. Quando o pregador vivi em duplicidade, quando usa mascaras vivendo tal um ator, quando fala uma coisa e vivi outra, quando há um abismo entre o que professa e o que pratica, quando seus atos reprovam as suas palavras, então ficamos confusos e decepcionados. Um pregador impuro no púlpito é como um médico que começa a cirurgia sem fazer assepsia das mãos. Ele causará mais mal do que bem.

Em terceiro lugar, o espelho precisa ser plano. Um espelho côncavo ou convexo distorce e altera a imagem. Precisamos ver no pregador um exemplo de vida ilibada e irrepreensível. O pecado do líder é mais grave, mais hipocrisia e mais danoso em suas consequências. Mais grave, porque os pecados do mestre são os mestres do pecado. É mais hipócrita, porque ao mesmo tempo em que ele combate o pecado em publico, ele o pratica em secreto. Ao mesmo tempo em que condena isso nos outros, capitula-se a sua força e abriga-o no coração. É mais danoso em suas consequências porque, ao pecar contra um maior conhecimento, o líder tem uma queda mais escandalosa.

Finalmente, o espelho precisa ser iluminado. Sem luz, mesmo que tenhamos espelho e olhos, ainda assim ficarmos imersos em trevas espessas. Deus é luz. Sua Palavra é luz. Sempre que um líder se afasta de Deus e da sua Palavra a sua luz apaga-se e todos aqueles que o miravam ficam perdidos e confusos.

A crise avassaladora que atinge a sociedade também alcança a igreja. Embora estejamos assistindo a uma explosão de crescimento da igreja evangélica brasileira, não temos visto a correspondente transformação na sociedade. Muitos pastores, no afã de buscar o crescimento de suas igrejas, abandonam o genuíno evangelho e rendem-se ao pragmatismo que prevalece na cultura pós moderna. Não pregam todo o conselho de Deus, mas doutrinas engendradas pelos homens. Não pregam as Escrituras, mas as revelações de seus próprios corações, fazendo do púlpito um balcão de negócio, uma praça de barganha, governando as ovelhas de Cristo com dureza e rigor.

A crise teológica e doutrinária deságua na crise moral, uma crise que, como bem disse Dietrich Bohoeffer, transforma a graça de Deus em graça barata, justificando o pecado e não o pecador. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento do pecador, é o batismo sem disciplina eclesiástica, é a comunhão sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, sem cruz e sem Jesus Cristo Vivo e encarnado.


1.      A VIDA DO MINISTRO É A VIDA DO SEU MINISTÉRIO

Uma das áreas mais importantes da pregação é a vida do pregador. John Stott afirma que a prática da pregação jamais pode ser divorciada da pessoa do pregador. A pregação com consistente exegese, sólida teologia e brilhante apresentação não glorifica a Deus, não alcança os perdidos, nem edifica os crentes sem um homem santo no púlpito.

O que nós precisamos desesperadamente nestes dias não é apenas de pregadores eruditos, mas sobretudo, pregadores piedosos. Piedade é um caminho de vida. Isto inclui vida domestica e relacionamento do marido com a esposa e do pai com os filhos (1Tm 3.5). Assim um ministro sem piedade não tem autoridade para pregar o santo evangelho. Não atrai pessoas para a igreja, antes as repele, não construindo pontes para aproximar-se das pessoas, mas abismos que as afasta do Senhor.

O pregador não sobe ao púlpito para entreter ou agradar seus ouvintes, mas para anunciar-lhes todo o desígnio de Deus. Sem pregação fiel não há santidade, sem santidade não há salvação, pois sem santidade ninguém verá a Deus. Há muitas igrejas cheias de pessoas vazias e vazias de pessoas cheias de Deus, porque os pastores estão produzindo discípulos que se conformam com sua própria imagem e semelhança, cheios de motivações hipócritas e egocêntricas isso gera como resultado sermões secos e sem vida.

2.      FOME POR DEUS

O pregador deve ser prioritariamente um homem de oração e jejum. O relacionamento do pregador com Deus é a insígnia e a credencial do seu ministério público. O pastor Paulo Anglada ao citar Thomas Murphy em seu livro “Introdução a Pregação Reformada” faz a seguinte afirmação: Há dois lugares onde, sem ser visto pelo mundo, o pregador recebe força e habilidade para a obra monumental a que foi ordenado, o quarto de meditação e o gabinete de estudo, primeiro o quarto aonde se cultiva o coração e depois o gabinete onde se cultiva a cabeça. É a regra de vida da qual o ministro do evangelho jamais deveria se afastar”.

O Espirito de Deus não inspirará um homem sem que ele próprio se esforce, pois o Espirito opera através do uso diligente de meios humanos. Spurgeon declara que nós somos, em certo sentido, as nossas próprias ferramentas e, portanto, devemos guardar-nos em ordem. Nosso espírito, alma, corpo e vida interior são as nossas mais íntimas ferramentas para o serviço sagrado. A chave para uma robusta pregação poderosa é uma robusta piedade pessoal.

A oração precisa ser prioridade tanto na vida do pregador quanto na agenda da igreja. A profundidade de um ministério é medido não pelo sucesso diante dos homens, mas pela intimidade com Deus. Spurgeon conclui que “se uma igreja não ora ela está morta”. Muitos pregadores pregam sermões eruditos, porem sem poder do Espirito Santo. Eles tem luz na mente, mas lhes falta fogo no coração.  Para Jesus a oração era mais importante do que o sucesso no ministério. Os maiores e mais conhecidos pregadores da historia foram homens de oração.  Outro habito importante para um ministério de pregação abençoado e abençoador é o jejum, ele é um importante exercício espiritual. Se desejamos pregas com poder, o jejum não pode ser esquecido em nossa vida devocional. Há um apetite por Deus em nossas almas. Deus colocou a eternidade em nosso coração e somente ele pode satisfazer essa nossa necessidade. John Piper define o jejum como fome de Deus, ele fala que o maior inimigo da fome de Deus não é o veneno mortífero, mas uma torta de maçã. O maior adversário do amor de Deus não são seus inimigos, mas seus dons e os mais mortíferos apetites não são pelos venenos do mal, mas pelos simples prazeres da terra.

3.      FOME PELA PALAVRA DE DEUS

É impossível ser um pregador bíblico eficaz sem que haja profunda dedicação aos estudos. “O pregador deve ser um estudante.”

John MacArthur diz que um pregador deve ser um diligente estudante da Escritura, o que João Calvino reforça ao dizer que o pregador precisa ser um pesquisador. Spurgeon escreve que, “aquele que cessa de aprender cessa de ensinar, aquele que não semeia nos estudos, não colhe nos púlpitos”.

O pregador enfrenta o constante perigo da preguiça dentro das quatro paredes de seu escritório. A ordem do apostolo Paulo é sumamente pertinente: “procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade” (2Tm 2.15).

A Bíblia é o grande e inesgotável reservatório da verdade cristã, uma imensa e infindável mina de ouro. John Wesley revelou o seu compromisso com a Escritura, ao dizer: “Oh! Dá-me o livro. Por qualquer preço, dá-me o livro de Deus! Nele há conhecimento para mim, Deixe-me ser o homem de um só livro!”

Em seu livro da série Um perfil de homens piedosos aonde fala sobre o zelo evangelístico de George Whitefield, o Rev. Steven J. Lawson vai fazer a seguinte análise sobre a imersão nas Escrituras de George:

“A devoção espiritual de Whitefield foi estabelecida sobre seu compromisso inabalável com a Bíblia. Uma vez que se converteu, a Escritura imediatamente tornou-se seu alimento necessário e acendeu o fogo de sua alma por Deus. Quanto mais se imergia na Bíblia, mais profunda era sua dedicação por conhecer a Deus e promover o seu reino.”

O pregador precisa ler não apenas a Palavra, como também o mundo ao seu redor; precisa ler o texto antigo e a nova sociedade a sua volta. John Stott comenta que “nós devemos estudar tanto o texto antigo quanto a cena moderna, tanto a Escritura quanto a cultura, tanto a Palavra quanto o mundo.

Martyn Lloyd-Jones recomenda que cada pregador deve ler toda a Bíblia pelo menos uma vez por ano. Além da Bíblia, todo pregador deve ser um serio estudante de teologia enquanto viver. Deve também estudar historia da igreja, biografias, apologética, bem como outros tipos de leituras. Deus mesmo promete dar lideres a sua igreja (Jr. 3.15). Se os pregadores não forem homens de conhecimento, jamais poderão realizar o ministério de ensino e instrução ao povo de Deus.É impossível ter graça no coração e luz na mente. É impossível ter experiências gloriosas sem o conhecimento das Escrituras.

A Palavra de Deus é eterna, não muda, não se torna ultrapassada nem desatualizada. Ela foi o instrumento que Deus usou para trazer grandes reavivamentos na história. A Palavra de Deus produziu a reforma nos dias do rei Josias. Semelhantemente, a Palavra de Deus trouxe vida a Israel quando a nação era como um vale de ossos secos. A Palavra de Deus produziu uma grande restauração nos dias de Esdras e Neemias. Em Jerusalém, o reavivamento espalhou-se quando a Palavra de Deus foi proclamada com o poder do Espirito Santo. Quando a Palavra de Deus foi proclamada pelos crentes, o reavivamento espalhou-se para além das fronteiras de Jerusalém (At 8. 1-4). O reavivamento de Éfeso foi resultado do crescimento da Palavra de Deus (At 19.20).

Devemos orar para que os pregadores sejam homens da Palavra! Os pregadores precisam desesperadamente retornar a Palavra de Deus. Todo pregador precisa ter paixão pela Palavra de Deus. Ele deve lê-la, conhece-la, obedecer a ela e pregá-la com autoridade, no poder do Espirito Santo.

Em seu livro sobre a soberania de Deus na pregação, John Piper faz uma análise sobre a pregação Jonathas Edwards mostrando 10 características marcantes deste que foi um dos maiores avivalitas na historia da igreja e que serve de desafio para a nossa geração de pregadores, observemos a seguir:

·           Desperte sentimentos santos:Uma boa pregação tem como objetivo encorajar “emoções santas” tais como ódio do pecado, deleite em Deus, esperança em suas promessas, gratidão por sua misericórdia, desejo de santidade e compaixão terna.

·           Ilumina as mentes: É crucial levar luz a mente porque os sentimentos que não são provenientes de seu entendimento da verdade não são afetos santos.

·           Sature com as Escrituras: Afirmo que uma boa pregação é “saturada com as Escrituras” e não “baseado nas Escrituras”, pois as Escrituras são mais (e não menos) do que a base para uma boa pregação.

·           Empregue analogias e imagens: A experiência e as Escrituras nos revelam que o coração é tocado de forma poderosa, não quando a mente se encontra absorta em ideias abstratas, mas quando é preenchida com imagens vividas da realidade estupenda.

·           Use ameaças e advertências: Edwards conhecia seu inferno, mas melhor ainda seu céu. Boas mensagens bíblicas incluem advertências a congregação.

·           Peça uma resposta: Não somos meramente passivos, nem Deus faz alguma coisa e nós, o resto. Deus faz tudo, e nós fazemos tudo. Deus fornece tudo, e nós desempenhamos tudo. Porque é isto que ele produz, a saber nossas próprias ações.

·           Sonde as operações do coração: A pregação poderosa é como uma cirurgia. Sob a unção do Espirito Santo, ela localiza, perfura e remove a infecção do pecado.

·           Submeta-se ao Espirito Santo em Oração: O pregador deve labutar em oração para colocar sua pregação sob a influência divina. 

·           Tenha um coração quebrantado e compassivo: Uma boa pregação procede de um espirito quebrantado e dócil. Apesar de toda sua autoridade e poder, Jesus era cativante, pois era manso e humilde de coração.

·           Seja intenso: Uma pregação que compele os ouvintes produz a impressão de que algo grandioso está em jogo. Com a visão de Edwards sobre a realidade do céu e do inferno, e da necessidade de perseverar em uma vida de santos afetos e piedade, a eternidade estava em jogo no domingo.

Tais características nos mostram não somente as qualidades de Edwards como grande pregador, como também seu comprometimento pessoal com a causa do evangelho. Uma boa pregação começa a partir de uma vida regenerada, esta verdade é fundamental, principalmente em tempos de crise nos púlpitos, aonde muitos tem transformado o anuncio das boas novas do evangelho e mero discurso religioso motivado, ou por uma espiritualidade espetaculosa, ou por uma erudição morta em suas tradições e dogmas, visando sua autopromoção e o famigerado mercadejamento da fé.

Precisamos como pregadores do Evangelho da Cruz, levar em consideração os conselhos do apostolo Paulo aonde ele diz que devemos não somente nos auto examinar como ter cuidado conosco mesmo e com a doutrina (Sagradas Escrituras) para que a nossa vida fale mais alto do que o nosso discurso.