SÉRIE O TEÓLOGO RELEVANTE: A NATUREZA PRÁTICA DA TEOLOGIA



Na vivência humana precisamos da teoria para que haja a prática; e precisamos ter a prática para confirmar a teoria como verdade, de modo que uma depende da outra, e ambas se completam. O conhecimento de Deus só se concretiza no ser humano através da prática da verdade. Por isso, o objetivo da teologia é levar a humanidade a um conhecimento do criador, que se demonstra na prática do viver cristão, apresentando as verdades teóricas de maneira a buscar uma resposta prática a elas. Todo conhecimento teológico, portanto, deve ser apresentado de forma que destaque e exalte a prática da verdade revelada.
Sem o aspecto prático, não temos teologia, e sim uma filosofia cristã abstrata e vazia quanto à prática, o que não é suficiente para atender as necessidades de Deus e dos homens, sendo que elas só se satisfazem através de práticas. Na práxis teológica está o caminho que satisfaz tanto a Deus, como aos homens. A satisfação se dá através da verdade praticada. Por isso a verdadeira teologia se apresenta como verdades que se desdobram em caminhos práticos a serem seguidos, na comunidade e na sociedade em que vivemos.
Em seu livro o drama da doutrina o Rev. Kevin J. Vanhoozer escreve o seguinte sobre o caráter prático da teologia:
“A igreja não precisa de mais atores mecânicos; nem precisa de super-homens que mantenham em segredo a verdadeira identidade. Pelo contrario, os discípulos cristãos devem crescer em sua nova identidade e desempenhar seu papel em publico com paixão e verdade. Eles devem crescer e se tornar adulto em Cristo (Ef 4.15)”.
Vejamos alguns pontos a serem considerados no tocante a uma teologia prática relevante:
·      Precisamos ser discípulos de Cristo: Ser discípulo de Cristo não é somente ensinar e pregar a palavra de Deus. É viver como uma referencia fiel desta graça preciosa manifesta através da submissão a sã doutrina.

“A graça preciosa é a graça como templo de Deus, que deve ser protegida do mundo, que não pode ser lançado aos cães. Por isso, é graça como palavra viva, a Palavra de Deus, por ele próprio proferida, conforme lhe agrada. Chega até nós como o gracioso chamado de Jesus, como mensagem de perdão ao espírito angustiado e ao coração despedaçado. É preciso porque submete o ser humano ao jugo do discipulado de Jesus Cristo; é graça porque Jesus afirma “Meu jugo e suave e meu fardo e leve”.(Dietrich Bonhoeffer – livro Discipulado)

·      Precisamos ter a nossa inteligência humilhada: A soberba intelectual é outro forte adversário a uma prática teológica relevante, a tentativa de concluir humanamente a instrução divina é não ter o senso de proporção no tocante à grandeza espetacularmente eterna da mensagem do evangelho.

“A inteligência humilhada é a consciência ferida pela Palavra, é o coração ferido pela dádiva da revelação, é o intelecto estendido a ponto de encontrar Deus quando sobe aos céus e quando faz a como no mais profundo abismo.”  (Jonas Madureira – livro inteligência humilhada)

·      Precisamos abraçar a cosmovisão (visão de mundo) cristã: Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Todo ser humano possui uma cosmovisão, mesmo que ele não saiba. Para o cristão, ela vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e em todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo 

Uma Cosmovisão Cristã é fundamental para ser um contraponto aos sistemas ideológicos vigentes na atualidade. O mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. O mundo secular exalta o homem, exalta governos, exaltam intelectos e pensamentos, a Bíblia exalta a Deus e sua Soberania.
Alguns consideram a teologia prática simplesmente como um nome mais técnico para a doutrina da vida cristã. A sua ênfase é sobre como todo o ensino das Escrituras deve afetar a forma como vivemos hoje neste mundo presente. A ênfase da teologia prática não é simplesmente contemplar ou compreender doutrinas teológicas, mas também aplicar essas doutrinas na vida cotidiana do cristão, de modo que passamos a "contribuir para que o mundo se torne o que Deus pretende que seja".






SÉRIE O TEÓLOGO RELEVANTE: UMA TEOLOGIA CENTRALIZADA EM CRISTO



A chave para compreender o evangelho é Cristo. Esta verdade estende-se por toda Escritura e participa como capitulo importante de seu grande arco narrativo que é a forma pela qual Deus nos salva e renova o mundo pela salvação por meio da livre graça em seu filho, Jesus Cristo. B.B. Warfield escreveu: “O poder salvador da fé reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo Poderoso”.
A centralidade de Cristo é o fundamento da fé protestante. Martinho Lutero disse que Jesus Cristo é o “centro e a circunferência da Bíblia” — isso significa que quem ele é e o que ele fez em sua morte e ressurreição são o conteúdo fundamental da Escritura. Ulrich Zwingli disse: “Cristo é o Cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”.
Nós precisamos urgentemente ouvir solus Christus em nossos dias de teologia pluralista. Muitas pessoas hoje questionam a crença de que a salvação é somente pela fé em Cristo. Como Carl Braaten diz, eles “estão voltando à velha e falida forma de abordagem cristológica do século XIX, do liberalismo protestante, e chamando-a de “nova”, quando, na verdade, é pouco mais que uma “Jesusologia” superficial”. O resultado final é que, atualmente, muitas pessoas, como H.R. Niebuhr disse em sua famosa frase a respeito do liberalismo — proclamam e adoram “um  Deus sem ira, o qual trouxe homens sem pecado para um reino sem julgamento por meio de ministrações de um Cristo sem a cruz”. Analisando aspectos objetivos, vejamos alguns motivos pelos quais o teólogo relevante deve ser Cristocêntrico:

1.     Porque a obra de Cristo está presente em cada gênero ou seção da Bíblia

Cada parte da Bíblia aponta para Cristo de uma forma particular. Ele é a esperança dos patriarcas. É o anjo do Senhor. Em seguida vá do livro de Êxodo até Deuteronômio. Ele é a rocha de Moisés. É o cumpridor da Lei, tanto da lei cerimonial, porque nos torna puros nele, quanto da lei moral, porque recebe a benção por meio de sua vida perfeitamente justa. Ele é o Ultimo templo. Na historia de Israel depois de Moisés. Ele é comandante dos exércitos do Senhor (Js 5). É o verdadeiro Rei de Israel. Na verdade, ele é o verdadeiro Israel, nos Salmos, Davi apresenta Jesus como o doce cantor de Israel (Hb 2.12). Vá então nos profetas e ali encontrará o Rei prometido (Is 1-39), o servo sofredor (Is 40.55) e aquele que cura o mundo (Is 56-66). Procure no livro de Provérbios e verá que ele é a verdadeira sabedoria de Deus. Aos que estão sendo salvos a cruz é a sabedoria de Deus (1 Co 1.22-25). Jesus veio e cumpriu as condições para que Deus pudesse nos amar incondicionalmente. Quando Jesus vem, compreendemos que todas as pontas aparentemente soltas e as declarações contraditórias do restante da Bíblia convergem para Jesus.
  
2.     Porque a obra de Cristo está presente em cada tema da Bíblia

A Bíblia está repleta de temas que percorrem todas ou quase todas as suas partes e seus gêneros. Se você encontrar algum dos seguintes temas que perpassam todo cânon, e que passam também pelo seu texto específico, poderá simplesmente “puxar o fio” olhando para trás, a fim de ver onde ele começou, e para frente, de modo a ver seu cumprimento em Cristo agora e no dia final. Exemplo: Reino. Fomos feitos para obedecer e servir ao nosso verdadeiro Rei. O pecado é rebelião contra ele, porém Romanos 1 nos diz que todos vamos adorar e servir a alguma coisa; portanto seremos escravizados pelas coisas criadas até que quebremos este poder sobre nós. Que Rei é poderoso o suficiente para nos libertar do cativeiro e da escravidão? Somente aquele que é Deus e que voltará a terra. Jesus é o verdadeiro Rei, e sua morte e ressurreição quebraram o poder do pecado e da morte sobre nós. Portanto, servi-lo é perfeita liberdade.

3.     Porque a obra de Cristo está presente nos grandes personagens da Bíblia

Todos os principais personagens e líderes das Escrituras nos apontam para Cristo. O líder máximo que chama e forma um povo para Deus. Todos os líderes ungidos da Bíblia, todo profeta, sacerdote, rei e juiz que traz “salvação”, libertação ou redenção de qualquer tipo ou nível, apontam para Cristo, na força que tem e mesmo em suas falhas. Até suas fraquezas mostram que Deus opera pela graça e usa o que para o mundo é secundário e fraco. Os “marginalizados” sociais e morais a quem Deus usa, tais como Raabe, Rute, Tamar e Bete-Seba (Mt 1.1-11), especialmente os que se encontram na linha da “semente” prometida, apontam para ele. Vejamos alguns deles:

·                    Jesus é o verdadeiro e superior Adão, que passou no teste no jardim e cuja obediência nos é imputada (1 Co 15)
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Abel, que, embora tenha sido morto inocentemente, tem o sangue que agora clama por nossa absolvição, e não por nossa condenação (Hb 12.24)
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Abraão, que respondeu ao chamado de Deus para deixar o que lhe era confortável e familiar e partir rumo ao desconhecido, “sem saber para onde ia” (Hb 11.8), no intuito de criar um novo povo para Deus.
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Isaque, que não apenas foi oferecido por seu pai no monte, mas foi verdadeiramente sacrificado por nós. Deus disse a Abraão: Agora sei que me amas, porque por mim não poupaste teu filho, teu único filho, a quem tu amas (Gn 22.12). Agora podemos dizer em relação a Deus: “Agora sabemos que tu nos amas, porque não poupaste a nós teu filho, teu único filho, a quem tu amas”.
·                    Jesus é o verdadeiro Jacó, que lutou com Deus e levou o golpe da justiça que merecíamos de tal forma que nós, assim como Jacó, recebêssemos apenas os ferimentos da graça para que nos despertasse e disciplinasse.
·                    Jesus é o verdadeiro e superior Jonas, que foi lançado na tempestade para que pudéssemos ser salvos e trazidos a bordo. Como diz Jesus em Mateus 12.41, ele é o último Jonas, que foi lançado nas profundezas abissais da justiça eterna.

4.  Porque a obra de Cristo está presente em cada grande imagem da Bíblia

Há muitas imagens ou “tipos” que apontam para Cristo e que não são figuras ou pessoas, mas objetos e padrões impessoais, Muitos desses símbolos descrevem vividamente a salvação pela graça que encontra realização em Cristo. A serpente de bronze no deserto e a água da vida oriunda da rocha golpeada nos indicam Cristo, é claro (uma vez que João e Paulo nos dizem que sim!). Além disso, todo sistema sacrificial e do templo apontam, na verdade, para ele. Sabemos disso porque o livro de Hebreus nos diz que é assim. Muitas outras imagens não podem, de fato, ser chamadas de símbolos, tampouco são elas temas rigorosamente teológicos, mas ideias ou assuntos concretos que recorrem a Jesus e tem ligações com ele.

5.  Por que a obra de Cristo está presente em cada enredo de libertação na Bíblia

Devemos atentar ao padrão da narrativa de vida-através-da-morte ou do triunfo-através-da-fraqueza, que é com frequência usada, o modo pelo qual Deus opera na historia e em nossas vidas. Ao pregar, você pode passar do evento de graça para a obra de Cristo. Se eu ler a historia de Davi e Golias como algo que me possa servir de exemplo, ela estará, na verdade, falando de mim. Cabe a mim invocar a fé e a coragem para lutar com os gigantes da minha vida. No entanto, se penso que a Bíblia me remete ao Senhor e a sua salvação, e se leio o texto de Davi e Golias sob essa ótica, muitas coisas saltam a vista. O ponto principal da passagem era que os israelitas não conseguiam enfrentar os gigantes por si mesmos. Eles precisavam de um substituto, alguém que acabou por não ser uma pessoa forte, mas frágil. E Deus usa a fragilidade do libertador como meio que leva a destruição de Golias. Davi triunfa na fraqueza e sua vitória é imputada ao seu povo. Em seu triunfo, eles triunfaram. Como não vê Jesus nesta história? Ele enfrentou os mais colossais gigantes (o pecado e a morte) e, mais do que um risco a sua vida, isso lhe custou a própria vida. Mas triunfou m sua fraqueza e agora seu triunfo é nosso.

Depois de uma execução empolgante da Nona Sinfonia de Beethoven, o famoso maestro italiano Arturo Toscanini disse à orquestra: “Eu não sou nada. Você não é nada. Beethoven é tudo”. Se Toscanini pode dizer isso sobre um compositor brilhante, mas que está morto, quanto mais os cristãos devem dizer o mesmo sobre o Salvador que vive, o qual, no que diz respeito à nossa salvação, é o compositor, músico e até mesmo a própria bela música.



SÉRIE O TEÓLOGO RELEVANTE - A FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA DA TEOLOGIA




Um dos lemas centrais da Reforma Protestante é o Sola Scriptura, termo em latim que significa somente as Escrituras. Este em especial serve como fundamento não somente aos demais solas (Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Glória), como também a toda conjuntura teológica evangélica  que cremos e confessamos. Infelizmente em nossos dias, por conta da permissividade pós moderna que traveste as heresias com o manto da religiosidade hipócrita que é politicamente correta e espiritualmente profana, temos sistematicamente abandonado nossas raízes Bíblicas tendo como consequência debates teológicos medíocres e vazios. Em seu livro pilares da fé o Pr. Franklin Ferreira escreve:

“Isso é algo que, de fato, me espanta. Alguns escritores propõem revisões do ensino cristão, mas na maioria das vezes em ruptura com a tradição cristã acerca da doutrina de Deus e da salvação e sem demonstrar a menor preocupação em remeter seus leitores (ou, pelo menos, seus seguidores mais fieis) as páginas da Escritura.”

O Pr. Paulo Anglada em seu livro Sola Scriptura. A doutrina reformada das Escrituras, também escreve algo importante sobre este assunto:

“Quando consideramos a diversidade doutrinária, litúrgica e prática que, em geral, caracteriza o evangelicalismo brasileiro, não é descabido questionar se alguma denominação evangélica no Brasil ainda pode, como instituição, ser considerada herdeira legítima da doutrina, culto e práticas reformadas. Pode haver muitas razões para essa situação. Entretanto, sem duvida, o relaxamento para com a autoridade e suficiência das Escrituras é uma delas.

As Escrituras Sagradas são a principal fonte da nossa teologia. Em seu livro Pregação e Pregador o Dr. Martyn Lloyd-Jones escreve o seguinte:

  Se a igreja cristã quiser manter um testemunho ativo nesta geração, e se os crentes em Cristo desejarem crescer e torna-se cristãos maduros e eficientes, então é da maior importância que os pastores, mestres e outros líderes providenciem para o seu povo o “leite sincero da Palavra” mediante a mensagens centralizadas na Bíblia e dela derivadas.”
Estamos em uma época aonde não temos consciência da real riqueza que nos legou a reforma, redescobrindo o evangelho através não somente do livre exame como também por meio da interpretação precisa da Palavra. Desenvolvemos uma “cultura evangélica” sem compromisso com o evangelho, baseada unicamente em nossas experiências e tradições, teologizando suas implicações através da manipulação espúria dos textos sagrados. Sobre isso o Pr. Renato Vargens em seu livro reforma agora escreve:

“Lamentavelmente, alguns dos pastores e mestres tupiniquins não possuem mais nenhuma ligação com aqueles que os precederam. Os púlpitos das igrejas e as salas de aula dos seminários teológicos estão sendo ocupadas por homens desconhecedores das mais profundas e básicas verdades sustentadas na Reforma. Se não bastasse isso, boa parte destes relativizaram as Escrituras afirmando não serem elas a Palavra revelada de Deus.”

Precisamos retomar a centralidade das Escrituras em nossas vidas, para que então nossa teologia seja contagiada e contagiante. Vejamos alguns pontos importantes que devem nortear nossa relação enquanto teólogos com a Bíblia:

1.  A Bíblia precisa ser lida devocionalmente: O teólogo, antes de qualquer coisa, é um cristão e como tal precisa não somente analisar as Escrituras, como também se deixar analisar e ser trabalhado por ela. A Leitura devocional é uma forma disciplinada de devoção e não mais um método de estudo bíblico. Ela é feita pura e simplesmente para conhecer a Deus, colocar-se diante da Sua Palavra e ouvi-lo. Esta atitude de silêncio, reverência, meditação e contemplação define a postura de quem deseja aproximar-se da Palavra de Deus. O exemplo bíblico desta postura encontramos em Maria, irmã de Marta, que “quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos” (Lucas 10:39), “enquanto sua irmã agitava-se de um lado para o outro, ocupada em muitos serviços” (Lucas 10:40). Há muitos outros exemplos de devoção que encontramos na Bíblia, de pessoas que simplesmente se punham diante do Senhor, sem esboçar uma única palavra, sem apresentar um único pedido, apenas ouvindo, meditando e contemplando.

2.  A Bíblia precisa ser conhecida bibliologicamente: Não basta somente ser um leitor apaixonado das Escrituras, precisamos conhecer os fatores que contribuíram para que ela chegasse até nós. Afinal, quando ela se originou? Quando e como assumiu a forma atual? Por que afirmamos que ela é um livro divinamente inspirado? O campo que estuda estas questões e chamado na teologia de Bibliologia ou Introdução Bíblica, ele irá tratar não apenas do significado do nome Bíblia e sua organização (testamento, capítulos, versículos, e etc) como também de assuntos pertinentes a doutrina das Escrituras (Ex. Inspiração, inerrância, canonicidade e etc). Este conhecimento, hoje mais do que nunca, é importantíssimo pois é a partir dele todos os demais aspectos da nossa teologia estarão firmados.

3.  A Bíblia precisa ser interpretada Hermenêuticamente:  Começarei falando da necessidade da hermenêutica bíblica. Como Osborne em seu livro A Espiral Hermenêutica, eu acredito sim que o propósito da hermenêutica é nos levar finalmente à pregação da Palavra de Deus. Contudo, antes de pregarmos, precisamos interpretar as Escrituras. Não é simplesmente abrir a Bíblia e dizer o que ela está dizendo. Nem todo mundo se apercebe do fato de que a leitura de qualquer texto sempre envolve um processo de interpretação. Ou seja, não é possível compreender um texto, qualquer que seja, sem que haja antes um processo interpretativo ― quer esse texto seja um jornal, quer seja a Revista Veja, quer seja a Bíblia.  A leitura sempre envolverá um processo de interpretação ― ainda que esse processo seja inconsciente e nem sempre as pessoas estejam alertas para o fato de que um processo de compreensão está em andamento. A Bíblia é um texto. Ela é a Palavra de Deus, mas ela é um texto. Como tal, ela não foge a essa regra. (Texto original do Rev. Augustus Nicodemos Lopes)

O teólogo relevante em primeiro lugar é Bíblico, por entender que sem a Bíblia não é possível fazer teologia. O protagonismo das Escrituras é um fator inegociável e prioritário, principalmente em um tempo de relativismos aonde os valores e princípios cristãos tem sido bombardeados por toda sorte de engano conveniente aos interesses de quem não sujeita-se a soberana vontade de Deus. Somente o retorno as Escrituras pode potencializar nosso conhecimento de forma transformadora e abençoadora. Foi assim com os reformadores do passado e precisa ser assim com os do presente.